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| A questão local |
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Alain Bourdin
Revela o paradoxo da busca pela identidade contemporânea: como se tornar “local”, sedimentado em raízes próprias e autônomas, num mundo progressivamente globalizado? É cada vez mais difícil definir entidades em perímetros claros, duráveis e justificados pela natureza, pelos traços culturais ou pela legitimidade histórica: mobilidade, diversidade e polimorfismo de territórios e relações sociais, na rede de economias, fazem, em contrapartida, surgir novas figuras, entre as quais a de um local plural. Este livro ultrapassa os limites do âmbito acadêmico e se volta também para legisladores, urbanistas, administradores e os próprios atores da localidade, inseridos num fluxo contínuo de transformações. |
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| Ações afirmativas: políticas públicas contra as desigualdades raciais |
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Fátima Lobato(org.)
Renato Emerson dos Santos(org.)
Trata das políticas públicas voltadas para a promoção da igualdade racial no Brasil. São apresentadas reflexões acerca de seus princípios, as críticas mais correntes, as experiências de implementação, bem como as formas recentes de resistência e ação dos negros na luta contra o racismo. O livro inclui documentos com propostas de ações afirmativas, que mostram a diversidade das medidas pautadas por parlamentares, acadêmicos, artistas — sobretudo, militantes da causa. Conferir igualdade nas oportunidades requer, ante o acúmulo histórico de injustiças, tratamento diferenciado — não a reprodução ou a criação de novas injustiças, mas a supressão das existentes. Não há igualdade no tratamento idêntico a desiguais. |
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| Capitalismo cognitivo: trabalho, redes e inovação |
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Alexander Patez Galvão(org.)
Gerardo Silva(org.)
Giuseppe Cocco (org.)
Trata da ligação entre capital, conhecimento e tecnologia. Os novos sistemas produtivos, estruturados no formato de rede, em cuja extensão esses elementos se congregam e se sobrepõem, já prenunciam que o capitalismo avança rumo a outro estágio de sua evolução: recompõe- -se em função de uma nova disposição de forças produtivas e de meios modernos de geração de valor, embora preserve a imparidade das relações de trabalho, a má distribuição dos recursos gerados e a dissimulada exaltação a um suposto progresso que apenas agrava e torna mais eficientes métodos seculares de exploração. Os autores estudam o modo como operam esses mecanismos, cujo funcionamento remanesce, sugestivamente, pouco esclarecido. |
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| Cartografia da ação social e movimentos da sociedade: desafios das experiências urbanas |
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Ana Clara Torres Ribeiro(org.)
Andrelino de Oliveira Campos(org.)
Catia Antonia da Silva(org.)
Os textos deste livro enfrentam o desafio de compreensão do mundo marcado pelo advento da comunicação e da informação exacerbada, pela valorização da estética frente à ética, pela aceleração do tempo/mundo e pelo sucateamento das formas históricas de ensinar. Tudo parece perder valor epistemológico com rapidez. Contra a racionalidade técnica instrumental hegemônica, que valoriza o reconhecimento dos grandes agentes, a abstração exacerbada e a falta de diálogo, o livro trata de um desafio enigmático para as ciências sociais: compreender, apreender e representar o movimento da sociedade: reivindicações, protestos, desejos, desencantos, sonhos, caminhadas, sentimentos, relações de poder em produção – elementos que remetem a alma humana coletiva, difícil de representar porque é tradição representar/cartografar objetos, fluxos, indivíduos, produções, resultados de relações de poder. Estes temas podem ser interpretados como weberianos, lefebvrevianos, miltonsantianos, certeaunianos ou freireanos. |
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Etnografia e educação: culturas escolares, formação e sociabilidades infantis e juvenis |
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Tania Dauster(org.)
Sandra Pereira Tosta(org.)
Gilmar Rocha(org.)
É sabido que a educação, como campo disciplinar, apropria-se de outros saberes, tais como filosofia, psicologia e história, para investigar suas práticas e construir investigações e caminhos políticos. A entrada da antropologia no campo da educação em tempos recentes tem permitido uma ampliação de sentidos na medida em que as relações sociais na escola, as culturas escolares, os processos de transmissão de saberes no cotidiano, a formação de docentes e as sociabilidades infantis e juvenis atravessam as fronteiras dos espaços e das práticas educativas formais e não formais. Com isso, queremos sinalizar que outras formas de conceber e praticar a educação passam a constituir os currículos da formação de profissionais que atuam nessas áreas. |
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| Identidades sociais: ruralidades no Brasil contemporâneo |
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Roberto José Moreira(Org.)
Postula a existência de um sistema de desconstrução-construção do rural estabelecido pelas antigas oposições sociais e políticas decorrentes das revoluções burguesas, a exemplo de tradicional/moderno, rural/urbano, campo/cidade e agricultura/indústria. No debate brasileiro, as dinâmicas recentes na esfera rural são identificadas, por um lado, pela tendência à expansão das ocupações não agrícolas por populações que habitam áreas reconhecidas como rurais e, pois, predominantemente agrícolas, e, por outro, pela manifestação de práticas culturais, na cidade e no campo, que são expressões do estabelecimento de novas identidades sociais. É nesse prisma que se enfeixam os textos deste livro. |
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| Intervenção socioanalítica em conselhos tutelares |
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Maria Lívia do Nascimento(org.)
Estela Scheinvar(org.)
Produto de uma prática de estágio curricular do curso de psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) em conselhos tutelares (CTs) do estado do Rio de Janeiro, apresenta a produção construída nesses espaços, buscando efetivar uma rede de debates. A instituição do estágio, as práticas de assistência à criança e ao adolescente, o mundo da norma jurídica, as subjetividades circulantes, as tensões políticas locais e nacionais, as demandas no campo da psicologia e outras discussões construíram os textos reunidos neste livro. A partir de uma abordagem socioanalítica, contribui com a problematização da formação e das práticas profissionais, das propostas políticas e das práticas de assistência social no Brasil de hoje, entendendo-as como históricas e, portanto, em constante circulação. |
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| Jovens em tempo real |
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Jorge Atílio Silva Iulianelli (org.)
Paulo Cesar Pontes Fraga(org.)
Embora reconheça não ser possível cunhar uma definição absoluta de juventude, conserva homogeneidade temática: a dos males que afligem os jovens pobres brasileiros. As questões de desemprego, preconceito racial, exploração sexual, mortes por causas externas, evasão escolar, envolvimento com uso e venda de drogas, violência policial, gravidez na adolescência, aids etc. desenrolam diante dos olhos heranças do passado colonial-escravagista que insiste em não ter fim. Dos centros urbanos como São Paulo, Curitiba e Fortaleza, das favelas cariocas ao sertão nordestino, emerge uma constatação: a produção incessante de necessidades de consumo que afetam jovens sem condição material de satisfazê-las. |
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| Labirintos do trabalho: interrogações e olhares sobre o trabalho vivo |
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Denise Alvarez(org.)
Jussara Brito(org.)
Marcelo Figueiredo(org.)
Milton Athayde(org.)
Estar fora do cordão dos curiosos em torno do “corpo estendido no chão”, não raro sufocante em sua ignorância, é o que permite o ponto de vista transversal que aciona os autores deste estudo, com a régua e o compasso da experiência-trabalho e dos saberes disciplinares acerca dessa atividade humana, a nos desafiar com seus labirintos. Para isso, mobilizam ferramentas teóricas, metodológicas e técnicas que incorporam instrumentos da ergonomia da atividade, da clínica da atividade de trabalho, da psicodinâmica do trabalho, da linguística dialógica, da saúde coletiva e do trabalhador e dos estudos das relações de gênero, encaminhamento que converge para a abordagem ergológica. |
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| O feitiço da política pública: escola, sociedade civil e direitos da criança e do adolescente |
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Estela Scheinvar
No estado de direito, depositam-se na política pública os anseios das lutas por transformações, especialmente sensíveis no campo dos setores ditos “menores”, “frágeis”, portadores de expectativas frustradas. Com base nas propostas contidas no Estatuto da Criança e do Adolescente, este livro instrumentaliza a análise deste paradoxo: a esperança na garantia de direitos que dependem, para sua implementação, de uma estrutura recoberta de descrédito. Com rigor histórico e conceitual, o texto apresenta outras possibilidades para abordar os terrenos da criança, da juventude, da escola, da sociedade civil e da construção de políticas públicas em favor de uma vida potente, num horizonte libertário. |
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| O poder constituinte: ensaio sobre as alternativas de modernidade |
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Antonio Negri
Negri elucida o conceito de poder constituinte, caracterizando-o como a atividade produtora das normas constitucionais dos ordenamentos jurídicos e situando-lhe a genealogia nas ondas revolucionárias da modernidade. Da Renascença à Revolução Inglesa, da Independência Americana à Revolução Francesa, da experiência soviética aos horizontes das lutas contemporâneas, ele analisa, com abrangência, erudição e potência crítica, o pensamento de autores como Maquiavel, Harrington, Burke, Jefferson, os “federalistas”, Rousseau, Sieyès, Tocqueville, Marx, Lenin e, recorrentemente, Espinosa. O propósito é reivindicar uma “tradição anômala” no eixo Maquiavel-Espinosa- -Marx, com o recurso à contribuição de Deleuze e Foucault. |
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| Os infames da história: pobres, escravos e deficientes no Brasil |
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Lilia Ferreira Lobo
Este livro envereda pela história infame daqueles que, tornados indesejáveis e postos à margem, foram úteis ao controle e à expansão dominantes: os pobres, os doentes, os desvalidos. Em pesquisa de fôlego, a autora traça a história das monstruosidades, em que a concepção das diferenças viaja das maravilhas do mundo dos navegantes dos séculos XV e XVI às produções de uma biologia dos monstros no século XIX e, por extensão, à teratologia social consolidada pela teoria das degenerescências. A análise mapeia as marcas do controle inquisitorial sobre a população da Colônia, um tribunal dos pecados em contraste com o julgamento eugênico de todos os desvios — o ideal do controle do perigo social das procriações. |
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| Plano de negócios para cooperativas e associações |
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Ricardo Henrique Salles
O plano de negócios é uma maneira estruturada de realizar projeções (nas áreas de marketing, produção, organização e controle, entre outros parâmetros de avaliação) para um empreendimento, as quais, sem substituir a capacidade de análise e a intuição do dirigente, traduzir-se-ão em mecanismos de gerência, a fim de reduzir os riscos inerentes a qualquer negócio. Sua elaboração é condicionada por uma série de fatores sociais que vão além das atividades do dia a dia. Por essa razão, um plano de negócios será tanto mais bem elaborado quanto mais contar com uma visão estratégica que abarque toda a situação do empreendimento e do meio tecnológico, econômico, financeiro, social e cultural que o envolve. |
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| Sociologia da educação |
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Alberto Tosi Rodrigues
Interpretar a educação do ponto de vista da sociologia é compreender que, se por um lado as pedagogias são o fundamento das práticas educacionais, por outro as crenças, os valores e as normas sociais são os alicerces da pedagogia. Este livro apresenta a sociologia da educação como disciplina acadêmica preocupada em reconstruir as relações, que existem na prática cotidiana, entre as ações que objetivam ensinar e as estruturas da vida social — a economia, a cultura, as normas jurídicas, as concepções de mundo, os conflitos políticos. A educação é objeto privilegiado da sociologia, porque o ato de educar é, ao mesmo tempo, a base da conservação da ordem e o esteio de suas mais radicais transformações.
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| Trajetórias e narrativas através da educação ambiental |
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Adalberto Ribeiro(org.)
Marcos Reigota(org.)
Raquel Possas(org.)
Com base na premissa de que a força motriz das engrenagens históricas é a condição humana, este livro faz um recorte conceitual específico: os anônimos sujeitos da história. Alunos do mestrado em desenvolvimento sustentável da Universidade Federal do Amapá buscam, pelo filtro da subjetividade das narrativas aqui arroladas, o sentido social de sua existência. Desfiam fatos como a transformação do Amapá em estado, a guerrilha do Araguaia, as Diretas Já, além das dinâmicas dos movimentos estudantil, político, sindical e ecológico. A isso se somam as impressões de quem, a fim de estudar ou trabalhar, viu-se obrigado a trocar a paisagem ribeirinha de chão batido, rios e igarapés pelo asfalto de centros urbanos. |
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