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Literatura
 
 

 

 
A consciência do zero: antologia de infernos diversos (1978-2003)

Frederico Barbosa.
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Celebra os 25 anos da poesia de um dos mais relevantes autores contemporâneos brasileiros. Nesta antologia, espécie de guia de viagem em terra estrangeira, o poeta revela o lado mais angustiado e contundente de sua lavra: “Quando eu desisti/ de me matar/ já era tarde.// Desexistir/ já era um hábito.// Já disparara/ a autobala: cobra cega se comendo/ como quem cava/ a própria vala.// Já me queimara.// Pontes, estradas,/ memórias, cartas,/ toda saída dinamitada.// Quando eu desisti/ não tinha volta.// Passara do ponto,/ já não era mais/ a hora exata” (“Desexistir”). Os poemas de Frederico Barbosa foram traduzidos em coletâneas de diversos países, como Estados Unidos, Austrália, México, Espanha e Colômbia.

 
 

 

 
A linha que nunca termina: pensando Paulo Leminski

André Dick.(org.)
Fabiano Calixto.(org.)
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Tributo a Paulo Leminski em razão dos sessenta anos de seu nascimento. A trajetória polifônica do escritor paranaense, falecido em 1989 em decorrência de cirrose hepática, é analisada de maneira híbrida por 43 autores que lhe desvelam, mediante ensaios, resenhas, depoimentos, poemas e ilustrações, as múltiplas faces: poeta, romancista, tradutor, músico, crítico, missivista, biógrafo, publicitário, agitador cultural. Segundo Delmo Montenegro, que assina um dos capítulos, “estudar Leminski — nosso Rimbaud budista- -nagô — pode ser a chave para o resgate do sentido inequívoco de nossa brasilidade”. O livro apresenta ainda uma cronologia de sua vida e um compêndio bibliográfico de sua produção.

 
 

 

 
A memória das coisas: ensaios de literatura, cinema e artes plásticas

Maria Esther Maciel.
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Compilação de ensaios escritos entre 1999 e 2003, publicados esparsamente em revistas e jornais do Brasil e do exterior, acerca do uso criativo dos sistemas de classificação do mundo por parte de escritores, cineastas e artistas contemporâneos. Jorge Luis Borges, Peter Greenaway, Arthur Bispo do Rosário, Georges Perec e Carlos Drummond de Andrade são alguns dos autores de referência, os quais têm suas obras exploradas em sua pulsão colecionadora. Também se abordam, sempre a partir de um enfoque comparativo e transdisciplinar, questões sobre a interseção de literatura e cinema, a tradução criativa, a mesclagem de gêneros literários e a escrita poética. Foi um dos dez finalistas do Prêmio Jabuti de 2005.

 
 

 

 
A mulher escrita

Lucia Castello Branco.
Ruth Silviano Brandão.
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Investiga o feminino na literatura por meio de um duplo aspecto. De um lado, Ruth Silviano Brandão aborda “a mulher escrita”, “representação da mulher como ficção masculina”, sintoma da escrita fálica. Do outro, Lucia Castello Branco analisa “a escrita mulher”, expressão da capacidade de escrever com o corpo, numa linguagem distinta, “feminina em sua origem arquetípica, e não propriamente em sua fisiologia”, anterior à Lei do Pai. O elo teórico é um pensamento psicanalítico, de inspiração lacaniana, sobre o feminino. Lya Luft, José de Alencar, Aluísio de Azevedo, Rubem Fonseca, Gilka Machado, Florbela Espanca, Clarice Lispector, Hilda Hilst e Sófocles são alguns dos autores examinados.

 
 

 

 
A planta da donzela

Glauco Mattoso.
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Em seu primeiro romance de ficção, o poeta Glauco Mattoso explora a vertente fetichista de José de Alencar, esmiuçada na pesquisa histórica sobre o perímetro urbano e os costumes do Rio de Janeiro — na época, Corte imperial —, a partir da releitura e reescritura de A pata da gazela. Mattoso faz mais do que uma paródia, calcada no pé como objeto de desejo: cria uma composição de referências literárias do século XIX, com citações diretas ou indiretas de autores do romantismo, como Álvares de Azevedo. Não é a primeira vez que Glauco Mattoso, codinome de Pedro José Ferreira da Silva, incorre no método da recriação textual: numa série de sonetos, ele já reescrevera contos de Machado de Assis.

 
 

 

 
A um passo

Elvira Vigna.
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A um passo pode ser lido tanto de uma só vez, como uma narrativa sequencial composta de capítulos curtos, quanto como um conjunto de contos avulsos que se concertam numa dinâmica entre o sucessivo e o simultâneo, com variegadas entradas e saídas no texto. A sintaxe inusitada, a dicção babélica e a articulação de viés experimental engendram a história de uma vingança e, ao mesmo tempo, de como uma história é inventada e, uma vez finda, não deixa nada ao redor. O mar tempestuoso remete à principal referência da obra, a peça A tempestade, de Shakespeare. O personagem P., ou Próspero, também dá uma festa onde não está presente. Em A um passo, os convidados são náufragos urbanos dos dias de hoje.

 
 

 

 
Aporias de Astérion

Elvira Vigna.
Ruth Silviano Brandão.
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Concebido a partir de dez desenhos de autoria de Elvira Vigna, este livro dedica-se à representação do homem e do nu masculino do ponto de vista da mulher. Com base no mito do Minotauro, Ruth Silviano Brandão desenovela sua prosa poética no dédalo de um texto que, sem fim nem princípio precisos, conforma um perpétuo durante, não necessariamente seguro. “O maior perigo deste livro é o desvelamento de que o labirinto existe dentro de toda mulher e, dentro do labirinto, o desejo imensurável por este ser bestial, que pode despertar a qualquer momento e invadir seu coração, seus poros, seu corpo todo. E quando isso acontece, mesmo ciente de todos os perigos, qual mulher resiste à tentação?” (Ademir Assunção).

 
 

 

 
Contos de amor e não

Lucia Castello Branco.
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Os dez contos deste livro são perpassados pela delicadeza com as palavras e as personagens. Ambas compõem enredos nomeados por advérbios, pronomes, conjunções: não, assim, talvez, antes, depois, qualquer, aliás, todavia, sim, ainda. Os sentimentos dão-se a ler, amiúde suspensos e indefinidos, no aparente oximoro de intenções ocultas, pulsantes em alguma medida entre suaves e intensas. A comunicação, plena de lacunas e palavras meias, cicia em entrelinhas de vocábulos grafados a meia-voz. “Como se não fossem um homem e uma mulher, os dois se sentaram ali, diante do livro. Assim, como se não fossem, puseram- -se a ler letras espessas de uma página antiga. Um silêncio branco. Um movimento branco. Um branco amor, talvez” (“Assim”).

 
 

 

 
Desdesejo
Desdesig

Narcís Comadira.
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Esta edição é composta de dois livros de poemas do escritor e artista plástico catalão Narcís Comadira, pela primeira vez publicado no Brasil. Um passeio pelos bulevares ardentes, escrito quando Comadira vivia em Londres, é marcado pelo impulso amoroso e pela busca de satisfação, num misto de hedonismo e melancolia. Em Desdesejo, com ecos de Shakespeare e Ramon Llul, o eu lírico, dirigido a um interlocutor angelical e demoníaco, canta o fracasso do encontro que não se consuma ou que, consumado, não perdura. A obra inclui uma entrevista do autor ao tradutor Ronald Polito, que já verteu para o português autores catalães contemporâneos, como Joan Brossa, Salvador Espriu e Quim Monzó.

 
 

 

 
Didática e prática de ensino de língua portuguesa e literatura:
desafios para o século XXI

Lucelena Ferreira.(org.)
Anabelle Loivos Considera Conde Sangenis.(org.)
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Didática e prática de ensino de língua portuguesa e literatura: desafios para o século XXI reforça a importância de se refletir sobre estas disciplinas nos cursos de formação para o magistério, num momento em que tanta ênfase se dá à formação continuada, e em que se pensa a língua e sua tradução literária como formas discursivas capazes de ampliar textos, horizontes e sonhos de quem ensina e de quem aprende — professores e alunos, em delicado vice-versa. Para o debate, Lucelena Ferreira e Anabelle Loivos Considera Conde Sangenis reuniram nove artigos de autores com reconhecida competência de pesquisa e reflexão na área, que ministram disciplinas pedagógicas de língua portuguesa e literatura em cursos de pedagogia e letras. O desejo é contribuir para traçar um panorama teórico e prático do que vem sendo feito pelo Brasil nessas disciplinas, com foco em seus atuais desafios.

 
 

 

 
Édipo rei

Sófocles.
Donaldo Schüler.(Trad. e análise)
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Referência majestática da cultura ocidental, seja para analisá-la como reflexo do psiquismo humano, como o fez Freud, seja para atacá-la, ao modo de Deleuze e Guattari, a peça Édipo rei foi e é examinada, citada e referida em numerosos estudos, teorias e sistemas de compreensão do mundo. Nesta edição, Donaldo Schüler recria, diretamente do grego, a vivacidade teatral de Sófocles (496-406 a.C.), um dos grandes tragedistas da Antiguidade e um dos maiores teatrólogos do Ocidente, autor de mais de cem peças, das quais restam apenas sete. Em valiosa análise, dividida em seções que abarcam a totalidade dos versos, o tradutor esmiúça as características dos personagens e as circunstâncias que lhes guiam os passos.

 
 

 

 
Educação e literatura

Antenor Antônio Gonçalves Filho.
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Trata do poder da palavra e da palavra do poder: explora o que a literatura pode abranger como instância educativa e formadora de valores. O autor investe no logos social do discurso literário em vez de se enclausurar no texto em si e para si, explorando-o como documento de cultura (às vezes de barbárie). Se determinado escritor tem a intenção de auxiliar o processo civilizatório do homem, é porque seu registro não está isento dos juízos críticos presentes nos signos linguísticos e revestidos de preconceitos, verdades ou semiverdades. A literatura não é uma zona de sombras que impede o ingresso no território iluminado da sabedoria, e sim uma das mais ricas dimensões a serviço da educação.

 
 

 

 
Elogio da punheta & O mistério da pós-doutora

Sebastião Nunes.
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“A maior criação da humanidade, em todos os tempos, foi a punheta.” A frase, que enceta a primeira das duas narrativas que compõem este livro, prepara o leitor para o que virá nas páginas seguintes — a prosa cruel, lasciva e corrosiva, sempre inteligente, de Sebastião Nunes, (auto)parodiador que certa vez anunciou a própria morte em edição apócrifo-satírica do caderno “Mais!”, da Folha de S.Paulo, usando os mesmos for­mato, papel e tipo de letra do jornal, o que quase lhe custou um processo. E que o leitor não estranhe, pois eufemismos não são bem-vindos aqui: é punheta mesmo, que, nas palavras do autor, “alguns débeis a menos, ou decibéis a mais, costumam chamar, pejorativamente, de masturbação”.

 
 

 

 
Estranhas experiências e outros poemas

Claudio Willer.
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Reúne poemas inéditos, sob o título Estranhas experiências, e outros, extraídos de Jardins da provocação (1981), Dias circulares (1976) e Anotações para um apocalipse (1964). Esta edição festeja quatro décadas de atividade poética de Claudio Willer, nome consagrado também nas áreas de seleção editorial, tradução e preparação crítica de obras de autores como Lautréamont, Antonin Artaud e Allen Ginsberg. “O que Willer diz pode e deve ser entendido com um preito de admiração e louvação a este reino do simbólico onde estamos todos imersos e onde os criadores literários somos seus oficiantes máximos. É um reconhecimento da extraordinária importância do simbólico como matriz da civilização e da cultura” (Sérgio Telles).

 
 

 

 
Estudos de pele

Floriano Martins.
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“Sacrifício” é o termo-chave na compreensão deste enigma literário, redigido entre a prosa, a poesia e a psicografia de ecos de um passado bíblico e horrendo — um altar de sacrifício em que corre o sangue de veias sobretudo femininas. Ester, Madalena, Maria, Marta, Raquel, Rute, Sara. Essas e outras vozes são referências fundamentais no texto. “Ao escrever este livro tive em mente a relação entre corpo humano e corpo da criação e, a todo instante, me perguntava: a linguagem reside em uma estalagem intemporal ou profana?”, indaga Floriano Martins, poeta, editor, ensaísta e tradutor. “Os estudos aqui esboçados mesclam piedade e terror como formas de dedução e sedução dos desígnios e artimanhas da espécie humana.”

 
 

 

 
Forrobodó na linguagem do sertão:
Leitura verbovisual de folhetos de cordel

Alberto Roiphe.
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Alberto explica: “É na leitura de folheto de cordel que se conhece outro folheto de cordel. Esses folhetos, como se viu, se inter-relacionam por meio da forma como os personagens se exibem, por meio dos instrumentos que usam, por meio do espetáculo que provocam. … O efeito estético sobre o leitor se amplia à medida que não se limita somente ao gosto pelo espetáculo por meio do aplauso ou da vaia, mas experimenta, em meio à oscilação entre a luta e a festa, assim como fazem o poeta e o artista, possibilidades poéticas de escolhas, provocações, comparações, irreverências, contradições, descobertas. Sem limites.”

 
 

 

 
Grafias da identidade: literatura contemporânea e imaginário nacional

Luis Alberto Brandão.
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Na análise de textos de ficção que contribuem para a compreensão da atualidade, pensa-se a literatura a partir de uma abordagem antropológica ampla. Nos escritores protagonistas deste estudo — Antonio Tabucchi, Paul Auster, Zulmira Ribeiro Tavares, Ricardo Piglia, Milton Hatoum e Rafael Courtoisie — revelam-se as linhas de força do imaginário contemporâneo. O livro incorpora ao discurso crítico formas de escrita e reflexão permeadas de ficcionalidade. Num movimento simultâneo de irrealizar a realidade e realizar o imaginário nacionais, o autor trata não de identidades fixas, paralisadas numa ordem mítica, mas de processos múltiplos de identificação que se reorganizam em função de novas demandas.

 
 

 

 
Histórias da noite carioca

Eric Novello.
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O livro conta a história de Lucas Moginie, escritor com fobia de ficção e viciado na vida real. Lucas escreve sobre o que vê, aquilo que vive, transformando amigos e desconhecidos em personagens sem pedir permissão. Mas Lucas não contava que a fama fosse transformar o mundo real em um grande teatro. Contando com a possibilidade de participar das tramas do escritor, as pessoas ao redor param de agir naturalmente, cospem frases feitas e de efeito, abusam de gestos e poses previamente ensaiados. O escritor entra em crise e sua carreira fica por um fio. Para furar o bloqueio de criatividade, Lucas resolve contar a única história preservada até hoje: a sua própria; e revisita personagens inesquecíveis do passado. Parece um trabalho simples? Espere até entrar na mente de Lucas Moginie.

 
 

 

 
Ímpar

Renato Rezende.
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Em Ímpar, considerado por Alberto Pucheu um livro “quase que solitário na atual poesia brasileira”, a mística dos poemas manifesta-se na busca da purificação por meio da renúncia e do desapego: “De repente,/ no meio do shopping/ o impulso natural,/ o súbito desejo/ de ficar cego”. Para tornar-se oco, novo, fogo, ouro, é preciso abdicar do corpo, das emoções, dos elos: “As emoções,/ eu desisto delas todas, o coração limpo/ ou não, eu desisto do coração, do umbigo/ que me ligou à minha mãe, eu desisto da minha mãe”. Na poesia alquímica de Renato Rezende, em que fulgurações de Rimbaud aliam-se a escatologias de Baudelaire, a iluminação se dá pela combustão da linguagem, da substância física e da identidade.

 
 

 

 
Juventude nas sombras: escola, trabalho e moradia em territórios de precariedades

Denise Cordeiro.
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É resultado de cuidadosa pesquisa de campo empreendida no Jardim Catarina, um dos bairros mais pobres de São Gonçalo (RJ) e o maior loteamento urbano da América Latina. O processo investigativo cria uma cartografia do lugar, dos corpos e das relações. Em meio a “paredes de cal e tijolo à vista, ruas asfaltadas, ruas de terra batida, descampados, sol delirante, chuvas e lama”, Denise Cordeiro segue o caminho de flâneur para trazer à tona percursos labirínticos traçados por jovens pobres, com escolarização precária, e por antigos moradores. Esse itinerário permitiu à autora conhecer o abandono do bairro e, também, na contramão das adversidades, potências de vida, expectativas e sonhos.

 
 

 

 
Linguística centrada no uso:
Teoria e método

Mariangela Rios de Oliveira.(org.)
Ivo da Costa do Rosário.(org.)
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Um livro técnico, para quem quer saber mais sobre linguística funcional, suas teorias e metodologias. Esta é uma coletânea composta por 11 capítulos, que traz reflexões teóricas e discute alternativas metodológicas no âmbito do funcionalismo em seu viés mais recente. Organizada por Mariangela Rios de Oliveira & Ivo da Costa do Rosário, docentes do Grupo de Estudos Discurso & Gramática, insere-se na nova vertente da pesquisa funcionalista, que, na interface com os estudos cognitivistas, destaca a intrínseca relação entre sentido e forma com foco nos contextos de uso.

 
 

 

 
Nômada

Rodrigo Garcia Lopes.
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Apresenta poemas de pujante lirismo e expressiva plasticidade gráfico- -visual, que discutem temas contemporâneos marcados pela incerteza e pela velocidade. Investindo na poesia como instrumento perceptivo, o autor surpreende com peças que recordam canções, pela sutileza e pela musicalidade, em contraste com outras, ora misteriosas, ora ásperas e contundentes, que revelam um poeta consciente de seu tempo: “Água de estilhaço, leite de cérebro/ espatifado, o disparo das horas e o caldo/ sórdido da sopa Bush. Adeus, individualismo liberal. Adeus, folhas de relva./ Tempestade de espadas./ Sistemas de vigilância. Ciberterrorismo./ Agora só vai dar vocês”. Foi um dos dez finalistas do Prêmio Jabuti de 2005.

 
 

 

 
O gato Tom e o tigre Tim

Iacy Rampazzo.
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Questões como liberdade, coragem e responsabilidade são tratadas com delicadeza e bom humor por meio dos felinos Tom, o gato, e Tim, o tigre. As ilustrações estabelecem interação direta com o texto, criando um cenário de sensibilidade gráfica e tipologia lúdica. Iacy Rampazzo é médica e exerceu a pediatria durante doze anos. Ela desenvolveu a técnica Trabalho Elementar do Corpo (TEC), baseada na evolução natural da criança, na reeducação dos sentidos e na construção da infraestrutura afetiva. Elvira Vigna acumula diversos prêmios no currículo — Jabuti, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), Instituto Noma do Japão —, além da participação em bienais internacionais de design gráfico e ilustração.

 
 

 

 
O livro de Zenóbia

Maria Esther Maciel.
Elvira Vigna. (ilustr.)
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Trata-se de uma narrativa poética com passagens de intenso lirismo, delicadeza e humor sutil. A subjetividade oblíqua está presente em descrições da vida amorosa e familiar da personagem, suas recordações da infância, receitas culinárias, listas de flores prediletas, livros de cabeceira e outros exercícios de classificação. Distante do realismo psicológico tradicional, o enredo é dinâmico, em capítulos breves, com influências técnicas do cinema, em flashes de sensorialismo. Retrato de uma mulher do interior em sua existência rotineira, o livro, ilustrado por Elvira Vigna, é uma incursão no universo feminino, uma investigação lúcida da sensibilidade, um questionamento dos limites entre vivência e imaginário.

 
 

 

 
O navegante
The Seafarer

Anônimo.
Rodrigo Garcia Lopes. (trad. e posf.)
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Poema anônimo anglo-saxão do século X recolhido no Exeter Book, códice manuscrito que reúne algumas das produções literárias mais ancestrais da Ilha, The Seafarer é aqui vertido para o português por Rodrigo Garcia Lopes, que também assina o posfácio. Nesta edição, em que consta a tradução de Ezra Pound para o inglês moderno, preservou-se a forma clássica da poesia anglo-saxã, que separa os versos em dois, divididos por uma cesura. O leitor brasileiro pode constatar por que esta peça épica, que registra o momento crucial em que os anglo-saxões distanciavam- se do paganismo da cultura escandinava e germânica e caminhavam para o cristianismo, é considerada uma das mais admiráveis elegias da literatura universal.

 
 

 

 
O poder da sombra:
a face oculta da política

José Arruda Silveira.
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“Depois de dois enfartes, morreu infeliz e amargurado. A população de Montenegro parou naquele dia. A tristeza se abateu como uma nuvem sobre a cidade. Seu enterro provocou uma comoção geral. Poucos dias depois, um busto foi colocado no meio de uma praça, em frente à sua casa, com os seguintes dizeres: ‘Se alguma pessoa em sua jornada ler essa mensagem, pode lamentar a própria sorte, mas não a vida desse herói. Nunca fugiu do compromisso perante seu semelhante. O combate ao medo d’alma, que atinge aos doentes, fracos e desamparados, foi o norte da sua vida. Não experimentou o descanso. Sua alegria era o sorriso de uma criança que ele trazia à vida. Homenagem enternecida do povo de Montenegro Paulista.’”

 
 

 

 
Para onde vai a vida? As aventuras e desventuras de Joca Boca-Suja, o menor maior mentiroso do mundo

Luiz Bras.
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Joca Boca-Suja é um menino ruivo e bochechudo que deseja saber para onde as pessoas vão, de onde vêm, para onde a vida segue. Logo no início da história, diz ao narrador ter sido sequestrado por seis palhaços mutantes que o acorrentaram num porão imundo com dois leões famintos, “malucos por quindim e cocada”. Este é o primeiro livro publicado de Luiz Bras, “alguém de carne e osso, mas de pura fantasia”, supernome literário de Nelson de Oliveira. Mas que não se pense tratar-se da mesma pessoa, pois “o Luiz é muito mais velho, muito mais experiente, muito mais bonito — muito mais tudo! — do que o Nelson”. As ilustrações de Thais Linhares dão asas à delirantemente saudável imaginação do pequeno Joca.

 
 

 

 
Pegadas noturnas: dissonetos barrockistas

Glauco Mattoso.
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Antologia de 86 sonetos de Glauco Mattoso, poeta comumente denominado “maldito” e “pornográfico”. Dois de seus temas usuais, a cegueira e o fetiche por pés, estão presentes aqui: “Se é rei quem tem um olho em terra cega,/ o cego é escravo em terra de caolho./ […]// Depois que fiquei cego, ninguém nega,/ meu amanhã jamais sou eu que escolho./ Se é noite o dia todo, eu sói me encolho,/ pois sei onde é que o pontapé me pega.// No fundo, a sensação que mais molesta/ é estar preso no escuro do porão/ enquanto quem enxerga faz a festa.// No chão, sentindo o peso do pisão,/ um único consolo a mim me resta: lamber a sola de quem tem visão”. A edição inclui entrevista a Claudio Daniel e prefácio de Franklin Alves.

 
 

 

 
Pensar com Heráclito

Walter Omar Kohan.(org. e trad.)
Elvira Vigna.(ilustr.)
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Heráclito é um enigma impossível de decifrar e impossível de não querer decifrar. Ele escreveu apenas um livro, do qual conservamos mais de cem fragmentos, sendo alguns muitos curtos, só palavras soltas. Mesmo assim, a força de seu pensamento é notável. Os fragmentos abordam quase todos os temas: política, religião, ética, estética, antropologia, entre outros. O estilo é tão forte e próprio, que Hegel lhe atribuiu ser o fundador da dialética. É difícil que qualquer ser humano, filósofo ou não, não se sinta tocado pela sua potência e vitalidade. Nada em Heráclito é simples, de uma única forma. O enigma de Heráclito é também o enigma da filosofia, essa tentativa louca de compreender o que somos, onde estamos, para que vivemos. Disso tratam, com singular brilho e força enigmática, estes fragmentos, que nada afirmam ou negam, mas dão sinais de que o leitor, cada leitor, decifra na experiência da leitura.

 
 

 

 
Pequeno dicionário de percevejos

Nelson de Oliveira.
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Pequeno dicionário de percevejos, antologia dos melhores contos de Nelson de Oliveira, inclui inéditos sobre o retrato da vida urbana. Trata-se de uma crônica do absurdo, no ritmo acelerado das histórias em quadrinhos. Além da seleção, realizada pelo poeta Claudio Daniel, que também assina o prefácio, o livro conta com textos críticos de Franco Terranova e Sérgio Sant’Anna. Pequeno dicionário de percevejos se destaca pela ironia, pelo humor e pelo enfoque inusitado do cotidiano. Nas palavras de Sérgio Sant’Anna: “Pode-se dizer que há um pouco de tudo no livro: uma rua de cães, outra de gatos, outra de papagaios; um anjo em cujas asas estão gravados todos os textos da humanidade; homens lunares que saem da tv; erotismo em várias nuanças, nunca vulgares; fantasmas; um colar de chistes; uma onda de suicídios líricos; um conjunto de nove segredos para o orgasmo. E muitíssimas coisas e enigmas mais, sempre com graça e poesia”.

 
 

 

 
Por que ler? Perspectivas culturais do ensino da leitura

Tania Dauster.(org.)
Lucelena Ferreira.(org.)
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Discute o ensino da leitura e da escrita, tendo como contexto o curso de pedagogia. Entre outros assuntos, abordam-se: métodos históricos de letramento; o ensino de filosofia e técnicas de argumentação; rodas de leitura; diferenças entre a leitura oral e a silenciosa; a escrita autoral como forma de autodescoberta; o impacto do mangá e sua predominância pictórica na formação de novos leitores; as idiossincrasias da escrita “pessoal” e da “acadêmica”. Examinam-se, como objeto de pesquisa, as formas pelas quais os usuários leem e escrevem no cotidiano, dinâmica fundamental para ensejar uma resposta (entre muitas possíveis) à pergunta que dá nome ao livro: ler para compor a própria biografia.

 
 

 

 
Professoras alfabetizadoras: histórias plurais, práticas singulares

Carmen Lúcia Vidal Pérez.
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Tomando como ponto de partida uma experiência de formação continuada de docentes, a autora orienta sua percepção para o entrelaçamento de relações que se produzem no dia a dia de vida e de trabalho de professoras alfabetizadoras. Na condição de narradora, relata, por intermédio de histórias pessoais e profissionais povoadas de lutas, acontecimentos e devires, as situações vividas e compartilhadas numa pequena cidade brasileira. Trata-se de vivências tecidas em diferentes cotidianos coletivos, espaços-tempos solidários de trocas de saberes, socialização de experiências e produção de conhecimentos novos. Aqui se atesta a capacidade da escrita de gerar e afirmar diferentes formas de ser, pensar e aprender.

 
 

 

 
Refabular Esopo

Donaldo Schüler.
Elvira Vigna.(Ilustr.)
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Trata-se de uma nova concepção de fábula, ousada criação do escritor e tradutor Donaldo Schüler. Animais irreverentes conduzem as mais de cem histórias, cujo narrador é um papagaio gaiato, de ética um tanto duvidosa, que leu às escondidas Além do bem e do mal, de Nietzsche. Ainda que se preserve o jogo de afinidades e dissonâncias do modelo fixado por Esopo, aqui se dessacralizam, por meio de uma espécie de carnavalização macunaímica, princípios de moralidade inerentes ao conto fabular convencional. As ilustrações de Elvira Vigna acrescentam humor e harmonia à narrativa, marcada por um tom satírico-político e por coloquialismos de várias regiões brasileiras, além da influência de James Joyce.

 
 

 

 
Romanceiro de Dona Virgo

Claudio Daniel.
Maninha Cavalcante.(ilustr.)
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Conjunto de seis narrativas irreverentes e paródicas acerca da história da literatura de língua portuguesa, do trovadorismo à época atual. No caleidoscópio léxico passeiam personagens como Camões, Cláudio Manuel da Costa e Cruz e Sousa. O gênero “conto” não é suficiente para definir a prosa de invenção de Claudio Daniel, dotada de múltiplas linguagens e gramáticas — do coloquialismo brasileiro ao fluxo joyciano. “Este é o livro de um jovem erudito do terceiro milênio, que pode mixar em sua tela fragmentos de Pero Vaz de Caminha ou Li T’ai Po, e ainda citar nos letreiros luminosos nomes que vão de Franz Kafka e Sylvia Plath a Peter Greenaway, ao som de Richard Wagner ou Charles Mingus” (Sérgio Sant’Anna).

 
 

 

 
Sartre: philía e autobiografia

Deise Quintiliano.
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Literata com espírito filosófico, a autora trata da noção de amizade nos textos biográficos de Sartre. Para isso, recompõe o itinerário da philía desde sua concepção mais antiga, a dos gregos, seguida por ela nos traços de sua evolução até Blanchot, Derrida, Foucault, e confrontada à literatura. Uma “ética da benevolência” proviria da promessa piedosa, da utopia generosa mas irrealista, da mentira humanista denunciada na primeira obra de Sartre, A náusea, na qual a amizade brilha por sua ausência, sendo a solidão a herança de uma consciência lúcida da existência. A humanização do homem passa por uma literatura na qual a subjetividade se assume como liberdade e apelo à liberdade do outro.

 
 

 

 
Segunda divisão

Clara Arreguy.
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Jornalista da área de cultura, a autora retrata neste romance, de forma bem- -humorada, a esfera nada glamorosa do esporte bretão — em que o leitor não encontrará craques estelares e salários milionários — como o espelho da sociedade contemporânea. “É um livro original, gostoso, informativo e excepcional. Clara Arreguy narra as 24 horas que antecedem uma decisão do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão entre a equipe paulista do Arapiara e a do Santa Fé, de Minas Gerais. O livro conta em detalhes, de maneira precisa e real, sonhos, dramas e incertezas dos personagens em jogo — atletas, técnicos, repórteres e todas as pessoas envolvidas na decisão […] é imperdível para quem gosta de ler e adora futebol” (Tostão).