Este é um livro-colcha-de-retalhos. Como roupa antiga, mas tão querida, que vale a pena cerzir, para ficar mais bonita e ainda poder usar. Livro-rede: poético, literário, científico, no bom sentido, em que é artístico e filosófico ao mesmo tempo. Livrobordado, igual ao pano de demonstração da antiga professora de trabalhos manuais. Nesse pano, direito e avesso são caprichados, cuidados nos detalhes, bem-acabados, sem nós grosseiros. Livro escrito com mãos limpas. Livro-holograma: importante, precioso para o trabalho de formação de professores-pesquisadores. Um livro em que nos é dado de presente o percurso da investigação. Se cada um, ao terminar uma pesquisa, imitasse a autora deste livro e escrevesse, sem falsas salvaguardas ou hipócritas defesas, o que fez e como viveu a investigação, a literatura sobre o fazer-pesquisa em educação, hoje, seria infinitamente mais rica do que é.
É um livro-palavras-cruzadas. Erudito. Múltiplo de autores, cujas ideias fluem no texto e se cruzam com os depoimentos, com questões de alunos da universidade e com o pensamento da autora. Esta usa, primorosamente, a teoria. É uma refinada ladra das ideias, no sentido de Deleuze, escutando Bob Dylan. Ela se apropria, deforma, põe os conceitos de outros a serviço de suas problematizações. Não é nunca uma lamentável aplicadora das teorias, mas uma usuária subversiva, que cria um tecido do vivido com as teorias existentes, sobrepondo-as em camadas finas e translúcidas.
É um livro-que-vai-do-céu-ao-centro-da-terra provocando efeitos colaterais diversos. Sua narrativa é de um tipo que prossegue, avança, não se detém nem se cansa. Uma narrativa que vai ficando rica, com tantas dobras, tantos livros dentro do livro: de método, escolhas, primeira pessoa do singular. Com tantos arquivos delinquentes, transgressores, indisciplinados, inseguros.
Fazer com paixão sem perder a razão
Joanir Gomes de Azevedo
ISBN: 85 74902 52 7
Código de barras: 9 788574 902524
Formato: 14×21cm
Número de páginas: 240
Peso: 330g
Ano: 2003
Coleção: Cotidiano — sociedade — escola
Iniciando uma conversa
Cidade de Deus: que lugar é esse?
Itinerâncias de uma experiência
1º retalho. Como fomos parar na Cidade de Deus?
2º retalho. O início da atribuição de usos e sentidos: meu Deus, o que estou fazendo aqui?!
3º retalho. As lições de Padre Valentim
4º retalho. Procurando caminhos para estar juntos
5º retalho. Procurando formas de estar junto dos trabalhos propostos
6º retalho. Funcionando a favor do prazer de ler e escrever: a Sala de Leitura
7º retalho. Tentando compreender o que vivíamos
8º retalho. Rejuntando o despedaçado: a comemoração do Dia do Mestre
9º retalho. Trabalhando na fronteira – a Animação Cultural
10º retalho. Nos limites da fronteira – Marcelo e Marcelino
11º retalho. Os funcionários
12º retalho. Os professores
13º retalho. Procurando interlocutores
14º retalho. Reflexões a respeito da escolarização das camadas populares
Obras consultadas
