No mundo atual, parece evidente a crise epistemológica que se traduz na
necessidade de modos de saber sobre homens e coisas de caracteres distintos dos que vigeram até então. Saber sobre os homens, saber sobre as coisas é uma reflexão sobre a problemática do conhecimento na sociedade ocidental. Tendo por mote a crise epistêmica contemporânea, volta-se, num primeiro momento, à busca do entendimento de como se configura o quadro referencial ora em descrédito. Especialmente, procura desvelar nesse processo as categorias história, geografia e ecologia, e suas respectivas ideias-suporte de tempo, espaço e natureza. Com esse intuito, realiza uma leitura crítica sobre como as questões do devir humano e da natureza são abordadas e relacionadas desde a eclosão da cultura grega originária até a modernidade. Em desdobramento, agora centrado no domínio moderno, faz uma retrospectiva das críticas de diversos matizes ao saber histórico e recupera elementos de novidade no saber sobre o que vem à tona na ciência do século XX. Ao final, focaliza a problemática do saber sobre os homens no contexto contemporâneo, particularmente as tópicas que dizem respeito à história e ao tempo, à geografia e ao espaço, à ecologia e à natureza. O ponto de vista assumido é o de um perspectivismo histórico do conhecimento. Saber sobre os homens, saber sobre as coisas, porém, não é uma trajetória que visa a construir novos marcos a serem assumidos incondicionalmente no presente; tem por intuito apenas clarificar fundamentos relativos às possibilidades da construção do saber sobre os homens no mundo atual, de modo a oferecer um quadro de referências múltiplas possíveis, uma “episteme não canônica”.
Saber sobre os homens, saber sobre as coisas
Frederico Guilherme Bandeira de Araujo
ISBN: 85 74902 44 6
Código de barras: 9 788574 902449
Formato: 14×21cm
Número de páginas: 368
Peso: 500g
Ano: 2003
Coedição: Faperj
Danilo Dias
ApresentaçãoIntrodução
Práticas contemporâneas e saberPrimeira parte
Visões dos homens e das coisas no pensamento ocidental: do milagre grego à modernidade
I. Cosmo e Mnemósine
1. Mnemósine
2. Cosmo
3. Cosmo e Mnemósine
II. Universo e Clio
1. Caminhos de Clio
1.1. A ortodoxia da história
Vertentes historicistas: o positivismo, o materialismo histórico
2. O Cosmo despersonalizado
2.1. Caminhos do platonismo e do aristotelismo na Idade Média: racionalização do dogma / cristianização da razão
2.2. Inquietações no pensamento medieval: Nicolau de Cusa
2.3. Ciência, arte e magia no Renascimento
3. A ruína do Cosmo / a construção do Universo
3.1. A noção de espaço subvertida
Uma revolucionária estruturação astronômica: Copérnico
O espaço como extensão infinita: Giordano Bruno
3.2. A redefinição da idéia de natureza
A natureza como harmonia de quantidades: Kepler
A natureza escrita com caracteres geométricos: Galileu
A natureza reduzida a leis de extensão e tempo: Descartes
A natureza imersa no absoluto, reduzida a leis de massa, extensão e tempo: Newton
3.3. Cosmo morto, Universo posto
4. A desconstrução do Universo
4.1. As questões teleológica e da causa final
Uma crítica teológica: Leibniz
Novos enfoques da negação da teleologia: Buffon, D’Holbach, Hume
Uma teleologia não-teológica: Kant
4.2. As questões do espaço e do tempo
O espaço e o tempo kantianos
A seta do tempo emergindo das ciências do calor e da vida
5. Universo e ClioSegunda parte
Críticas ao saber moderno, novas visões sobre os homens e as coisas
I. Sobre a história como modo de saber sobre os homens
1. Contra o domínio de Clio
1.1. A doença da história: Nietzsche
2. O tempo da história
2.1. O anjo, o belo e o fantoche: Benjamin
2.2. Historicidade e temporalidade: Heidegger
3. História e espaço
3.1. Estruturas como durações: os Annales
3.2. Em busca do espaço silenciado: imagens da espaciologia contemporânea
4. História e natureza
4.1. Revivendo a natureza morta: a ecologia profunda
II. Novas idéias no saber sobre as coisas
1. Questões do espaço e do tempo
1.1. Nem trajetória, nem situação dinâmica definida: tempo e espaço na teoria quântica
1.2. Espaço-tempo nas teorias da relatividade
2. As naturezas
2.1. O mundo partido: graves e leves, estacionários e acelerados, rápidos e lentos
2.2. O mundo unificado: o amálgama de ordem e desordemTerceira parte
Para uma episteme dos novos tempos
I. Idéias para uma “episteme não-canônica”Referências bibliográficas
















